Em cada segundo se esvai uma grama de lucidez. Gritam a plenos pulmões. Em minha família isso é comum. A propensão à loucura. A sensação de perseguição, a paranóia, esquizofrenia e mania de grandeza. Em quem nunca foi nada além de pessoas, o vôo no vazio é sempre o objetivo. Todas normais. Todos loucos. Mães, tias, primos. Casamentos entre parentes, consaguinidades, o ódio eterno, incestos, doenças hereditárias, congenias, reais ou imaginárias. Remorsos, sentimentos infundados, emoções reprimidas, as mais variadas explicações, pra um mal tão simples: somos todos loucos.
Vivendo e babando por aí uma sanha que não descansa e uma raiva que nem todos os mares bebidos e noites em claro podem curar. Nos rasgamos, arrancamos os cabelos, nos afogamos em remédios, consultamos a opinião: alheia, médica, curandeira e nada dá jeito.
A loucura que nos envolve parte dos mais variados motivos, mas tem sempre algum ponto em comum: a dificuldade de adequação as coisas, ao mundo e as pessoas. É o nosso não-lugar. Há os de todos os tipos: da santidade, megalomaníacos sem altivez, românticos suicidas, os utópicos revolucionários, loucos mansos e os insignificantes que procuram confundir-se com a parede. Há os de beleza rara e há os que metem medo em criancinhas. Os que perdoam e esquecem e os que bebem o sangue.
Essa doideira, atinge gente querida e odiada, sempre faz estragos, alguns remediáveis, outros, causadores de novos e infinitos dramas, dignos de romances épicos e novelas mexicanas.
As vezes alguns de nós, tenta fingir normalidade. Se fantasia com gravata, é pontual, fala coisas respeitadas, apreciadas por muitos; sensatezes. Mas em algum momento, o sangue fala, a gravata aperta, o olhar mostra o desvario e se faz ouvir, com palavras que saem como em um jorro. Nada moldam, nada formulam, apenas saem.
Gostaríamos de ser outros? Talvez. Dói viver dessa forma, não se encontra compreensão; o que há é vergonha, risos e dissimulação. Até mesmo os mais bem intencionados, acabam por afastar-se. porém é costume já tão enraizado, como aquela árvore velha, nodosa e grossa, crescendo nos cabelos de minha avó.
sábado, 18 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Revolta
Deus é homem.
E eu uma ovelha.
Fêmea e suja.
Ele me deu seios,
Mas ele mesmo não os tem.
Um sexo repudiado e exaltado.
A eterna dicotomia,
Santa e pecadora.
Que ama e tem sua carne,
Preparada durante toda vida,
Para o abate e assim,
Me salvar de meu pecado
.
O gozo da vida me é negado.
O gozo da vida me é negado.
Devo calar, sorrir e acenar.
Servir e abaixar a cabeça.
Orar, rezar, me humilhar
E nunca ser perdoada.
Por isso, agora digo:
Sujo e pecador é o seu julgamento.
E a sua palavra castradora.
Despirei a pele que colocaram em mim.
Todo meu corpo quer florir.
Sou agora um novo gênesis(ero).
Me inventarei como quero.
E pecado em vossos ânus.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Resposta
É sempre motivo de critica entre os que escrevem, colocar o título antes de ter escrito o texto. Eu, porém, inverto essa lógica, as vezes. Gosto de colocar o título antes, como forma de mensurar, traçar um caminho. Apontar um possível norte a palavra. Ainda que saia o tiro pela culatra em muitos casos. Mas ainda assim, gosto. Eu gosto de ter um caminho, e possivelmente, desviá-lo, ainda que sempre o deixe lá de alguma forma; em um título, em uma passagem rememorada, ou então em um título que não faz sentido aparente.
É engraçado como esse título antecipado, no entanto, se liga a tudo que está a nossa volta. Procuramos respostas a perguntas. Questionamos tudo e todos a nossa volta, com perguntas embaraçosas para os outros e totalmente ingênuas para nós. E caso não nos questionássemos mais, ainda que pelas coisas mais comuns significaria na verdade, a morte. As perguntas certas e respostas erradas. Perguntas sem respostas. Perguntas simples e respostas enigmáticas, é o que encontramos muitas vezes.
Na verdade, o mundo poderia ser feito de uma única pergunta e nesta cabe milhares de respostas. E é bem o que se presume que aconteça na verdade.
O que escrevo é para um menino querido, que anda assombrado com as perguntas que tem feito a si mesmo. As respostas que ele encontra, não as considera satisfatórias. Realmente; podem não ser. Como podem não ser respostas verdadeiras, pois sussurradas pela boca de um mau conselheiro. Nossos tormentos, noites em claro, os problemas, tem vozes desagradáveis. Nascem murmurando em leito pedregoso e lamacento do que ainda não desvendamos de nós. Do que não aceitamos em nós, do que ainda temos que mudar e relutamos.
Queríamos poder ser outros, ter formulado nossas vidas de uma outra maneira que pensamos seria a melhor, nos comparamos e medimos por pesos alheios. Pensamos que não, já vencemos tudo isso. Algumas coisas levam muito tempo para mudar. Nos sentimos infrutíferos, não semeamos o que colhemos, algumas vezes. E isso tudo soa bem piegas, sim, podemos nos dar esse luxo. Não é autocompaixão. É apenas incômodo. E incômodos levam a perguntas e estas, quem sabe, a respostas que buscamos. As coisas caminham para a não-conformação. Não está satisfeito, mude. Medo de não se reconhecer depois? Não... isso só acontece quando não é você que muda seus móveis de lugar, quando deixa que outros o façam, aí sim, se corre este risco.
Ainda não disse tudo, disse pouco, mas espero que este pouco, seja muito e ajude em sua inquietação.
Ouça os outros, é importante, mas ouça primeiro você, e o que não gostar da conversa, jogue fora, refaça. Derrube e comece de novo, como diz um certo cantor de sua preferência.
Se precisar, estamos aí.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Cinza(s)
Eu só preciso de algumas palavras. Encontrar ideias neste cinza, não é nada fácil. Parece que essa fuligem impregna em tudo. Até dentro de nós. Não é qualquer poeirinha besta. É uma cor e um pó, respirados que se entranham em você. Pode tanto entrar pelas vias aéreas com o cigarro, como por outros caminhos impensados; pelos ouvidos, pelos olhos, pelo mau humor, que fecha a cara e apaga o sorriso. Refúgio, fuga, ilusão, despistar esse mal, é o que sempre se tenta. Poucas vezes se alcança.
Cinza. De vidas queimadas, de existências não-torradas, de vontades não-ditas, de silêncios que abortaram o grito.
Mas ela é um afasto, uma cor no muro, a gravata do chefe que só te dá esporro, o grisalho dos cabelos e do rosto cansado, de quem acordou , mas ainda não viu a luz do dia. Ela tem certa dificuldade em atravessar espessura quase impermeável. E a pergunta que está em tudo é como fugir. é uma cor. Associada geralmente a melancolia; e daí para os tons e sentimentos cromáticos mais baixos, é um pulo. Um pulo pro vazio, um pulo pro nada. Um pulo da ponte.
Jura feita de que não gostaria de falar de algo tão real e dolorido. Mas camuflar como se tenta, não adianta mais. Muitos a amaldiçoam, alguns a bendizem; já foi muito cantada, mas depois que se tornou a cor oficial e oficiosa por todo lugar, deixando tudo tão pálido, anda perdendo a credibilidade.
Penso nela mais como um aviso. Cuidado. Se ingeri-la cheira-la, come-la, bebe-la, e o que mais se faz com ela, com frequência, pode acabar virando papelão. É uma cor profética, digamos. Ela está em tudo e mergulha em cada um, tentamos disfarçar, desviamos, mas ela lá está. Ela se impõe. É notada, mesmo sendo tímida, mas ali está para dizer algo, que não se deseja ouvir.
Quem sabe se ouvíssemos quem anda com ela e a veste, poderíamos entender a mensagem, tão clara, que chega a estar decodificada.
Há quem teorize sobre o conteúdo da mensagem. Creio que seja apenas uma a significação. Viva. É tudo o que não se tem feito, escondendo-se atrás de tanto cinza. E não falo de viver de qualquer jeito, é viver, estando com todos os sentidos abertos, aqueles mesmos, por onde ela entrou e se acumulou. É viver com plenitude. É viver tudo. De todas as formas e tamanhos de vida, desde que se escolha como viver. Ainda que ninguém saiba ao certo como se faz isso.
Uma vida e tantos cores pra torrar e estamos presos. Em estruturas de metal e concreto. Cinza.
Até eu. Por enquanto.
Cinza. De vidas queimadas, de existências não-torradas, de vontades não-ditas, de silêncios que abortaram o grito.
Mas ela é um afasto, uma cor no muro, a gravata do chefe que só te dá esporro, o grisalho dos cabelos e do rosto cansado, de quem acordou , mas ainda não viu a luz do dia. Ela tem certa dificuldade em atravessar espessura quase impermeável. E a pergunta que está em tudo é como fugir. é uma cor. Associada geralmente a melancolia; e daí para os tons e sentimentos cromáticos mais baixos, é um pulo. Um pulo pro vazio, um pulo pro nada. Um pulo da ponte.
Jura feita de que não gostaria de falar de algo tão real e dolorido. Mas camuflar como se tenta, não adianta mais. Muitos a amaldiçoam, alguns a bendizem; já foi muito cantada, mas depois que se tornou a cor oficial e oficiosa por todo lugar, deixando tudo tão pálido, anda perdendo a credibilidade.
Penso nela mais como um aviso. Cuidado. Se ingeri-la cheira-la, come-la, bebe-la, e o que mais se faz com ela, com frequência, pode acabar virando papelão. É uma cor profética, digamos. Ela está em tudo e mergulha em cada um, tentamos disfarçar, desviamos, mas ela lá está. Ela se impõe. É notada, mesmo sendo tímida, mas ali está para dizer algo, que não se deseja ouvir.
Quem sabe se ouvíssemos quem anda com ela e a veste, poderíamos entender a mensagem, tão clara, que chega a estar decodificada.
Há quem teorize sobre o conteúdo da mensagem. Creio que seja apenas uma a significação. Viva. É tudo o que não se tem feito, escondendo-se atrás de tanto cinza. E não falo de viver de qualquer jeito, é viver, estando com todos os sentidos abertos, aqueles mesmos, por onde ela entrou e se acumulou. É viver com plenitude. É viver tudo. De todas as formas e tamanhos de vida, desde que se escolha como viver. Ainda que ninguém saiba ao certo como se faz isso.
Uma vida e tantos cores pra torrar e estamos presos. Em estruturas de metal e concreto. Cinza.
Até eu. Por enquanto.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Tempo
Tinha muito tempo. Calma.Tudo ao seu tempo. O tempo não pára, toca no rádio. Temos todo o tempo do mundo, e ele escorre entre os dedos. Mais um cigarro, queimando lentamente, pra passar o tempo. O som do tempo lá fora, com os carros passando, as crianças na rua e o vento forçando a janela, querendo trazer o tempo, para dentro daquele quarto. Mais ali o tempo deixou de existir de algum forma, ou se existe, se arrasta. Olha para tudo, rememora o que deve fazer, mas não faz. Adia, procrastina, desleixa o trabalho. Se culpa por isso. Uma coisa aprendera tempos atrás, com muito custo: com o tempo não se brinca. Precisa de um novo tempo. Precisa na verdade, de si, há uma semana atrás. Não consegue voltar à normalidade, à seu tempo. Prende-se a uma memória viciante, um som repetitivo em sua cabeça. É uma agonia e um prazer ao mesmo tempo, e tem medo de enlouquecer, por medo, não se permite. Não agora. Precisa organizar-se.
O tempo lá fora, é diferente do tempo aqui dentro, pensou. Eram uma coisa só o tempo lá fora e aquele corpo, há uma semana atrás; caminhavam no mesmo passo tranquilo, dentro da norma, da regra. Mas isso mudara. A chegada dele, transformara tudo. A volta, na verdade. Teria se curado completamente, se ele não tivesse voltado. Por que voltar? Pra quê? Entrou com tanto escarcéu, uma verdadeira hecatombe, pegando logo um cigarro dos seus e acendendo, com o mesmo sorriso torto no rosto. Aquilo lhe deu um ódio tamanho. Ao mesmo tempo, odiava, mas não reagia; por perplexidade, deixou ficar.
Olhou o relógio e viu que ele daqui há pouco tempo, retornaria. Em um segundo de desespero, levantou, colocou coisas em uma mala, pegou a carteira e as chaves e saiu. Trancou a porta do quarto, mas sabia ser inútil, ele daria um jeito de entrar sempre.
Saiu, suspirou e voltou a sentir liberdade.
Um mês depois ao retornar para a casa que abrigava agora sua nova rotina, de uma cama eternamente desfeita, uma geladeira com restos de comida e um cinzeiro cheio, encontrou um bilhete embaixo da porta:
"Se não me queria, não precisava abandonar seu lugar, me pedisse que eu ia embora, novamente, como fiz das outras vezes; volto, por que você sempre me chama.
Seu,
Tempo".
O tempo lá fora, é diferente do tempo aqui dentro, pensou. Eram uma coisa só o tempo lá fora e aquele corpo, há uma semana atrás; caminhavam no mesmo passo tranquilo, dentro da norma, da regra. Mas isso mudara. A chegada dele, transformara tudo. A volta, na verdade. Teria se curado completamente, se ele não tivesse voltado. Por que voltar? Pra quê? Entrou com tanto escarcéu, uma verdadeira hecatombe, pegando logo um cigarro dos seus e acendendo, com o mesmo sorriso torto no rosto. Aquilo lhe deu um ódio tamanho. Ao mesmo tempo, odiava, mas não reagia; por perplexidade, deixou ficar.
Olhou o relógio e viu que ele daqui há pouco tempo, retornaria. Em um segundo de desespero, levantou, colocou coisas em uma mala, pegou a carteira e as chaves e saiu. Trancou a porta do quarto, mas sabia ser inútil, ele daria um jeito de entrar sempre.
Saiu, suspirou e voltou a sentir liberdade.
Um mês depois ao retornar para a casa que abrigava agora sua nova rotina, de uma cama eternamente desfeita, uma geladeira com restos de comida e um cinzeiro cheio, encontrou um bilhete embaixo da porta:
"Se não me queria, não precisava abandonar seu lugar, me pedisse que eu ia embora, novamente, como fiz das outras vezes; volto, por que você sempre me chama.
Seu,
Tempo".
terça-feira, 18 de março de 2014
Odisseia
Saiu da casa que morou por 7 anos, as sete em ponto. Chuva fininha e gelada. Ele que havia nascido em um dia sete, se sentiu um tanto perseguido por uma numerologia absurda, repleta de fracasso. O sapato apertado, apesar de velho, o terno amarrotado e a falta de um isqueiro completavam o quadro. Um quadrado, um caixote, ele nem mais se imaginava,não sentia. Não se colocava como uma vítima; colhera o que plantara, ou quase isso. Na verdade nunca houvera batalha a ser vencida. A mulher que deixara na casa, ainda o amava; ela mesma o dissera, mas não suportava mais. O que? O que havia de tão insuportável nele? Ele até imaginava qual poderia ser o motivo, mas considerava um motivo muito banal para se deixar alguém. Porém, são as banalidades que sempre destruíram tudo o que ele havia tentado manter em sua vida. Sempre foi assim.
Contou. Sete fracassos. Se bem que não amava aquela mulher, e tudo no que havia fracassado na verdade, havia sido dessa forma; nem se dera ao trabalho de lutar, ou conquistar. Simplesmente aceitava. Entrou em casa e encontrou as malas arrumadas. Olhou para tudo aquilo e os olhos vermelhos de Regina e entendeu no exato instante, tudo. Calado, pegou suas coisas e saiu; ela o prendeu com as palavras; uma verdadeira torrente, um rio, engasgado na garganta daquela mulher, que mais lágrimas alimentavam.
Colocou as coisas no porta-malas do carro, entrou e partiu. Pra onde? Que lugar?
Não se sentia culpado ou frustrado, só sentia que na verdade não sentir, era estranho. E aquela verdade, saída da boca da mulher o incomodava de alguma forma. Ela era perfeita, admirada e desejada pelos amigos; não sentia ciúmes disso, achava peculiar apenas. Ela foi entrando na vida dele e ele, passivamente, deixou que nele, ela se enroscasse.
Suas fotografias, carregavam um pouco desse dar de ombros em relação a vida, como um amigo uma vez lhe dissera, eram de uma visão situacional. E agora era isso. Ele havia sido desnudado pelos outros, por pessoas quase estranhas e se via, mas não se sentia particularmente afrontado. Olhava a si mesmo com curiosidade simples, sem anseios, como alguém pode observar de uma janela durante toda a tarde, o movimento da rua lá embaixo.
Não era isento de desejos, ou ambições, ou todas aquelas coisas que causavam a inquietude na humanidade. Não. Possuía a tudo isso, mas o que agora notava, era que estavam todos adormecidos, há tanto tempo, que nem notou quando isso começara. Mas agora, não fazia ideia de como acordá-los ou se deveria. Apenas respirava e pensava.
Sua vida até aquele momento não havia passado da vida da maioria das pessoas; uma vida normal. Nem pobre, nem rico, mais alto ou mais baixo, melhor que ninguém. Um a mais, nada além. Alguns chamariam de uma vida apática.
As perspectivas que tinha até aquele momento vinham de seu emprego e do hobby que exercia nas horas vagas, que consistia em ir até qualquer lugar que concentrasse algum grupo de pessoas, nas mais variadas atividades, e fotografá-las; quase como um voyeur. Era um voyeur, na verdade, agora percebia com clareza.
Resolveu ir para um pequeno hotel que conhecia por que ficava no caminho que sempre fazia para o trabalho. Alugou um quarto e separou algumas roupas e coisas, saiu, jantou e comprou cigarros. Revirando o conteúdo da mala pequena, encontrou algumas das fotos que havia tirado há alguns meses em uma feira.
Olhando mais detalhadamente, ficou orgulhoso do seu trabalho. Eram sim, de uma vulgaridade cotidiana, mas nelas havia um movimento poético, que agora percebia; as rugas na mão da senhora que segurava um pêssego grande, macio e carnudo, com tamanha delicadeza; os olhos velhos de um menino de rua; as pernas finas de uma moça na Paulista, o suor na testa do feirante, brilhando como pequenas jóias na testa, as mãos suplicantes de um mendigo, as mãos dadas de meninas na Augusta.
A sétima foto caiu no chão, embaixo da cama em um canto escuro e dificil, e nela viu algo que prendeu sua atenção. Aquela em particular lhe causou perplexidade e se perguntou como não havia notado aquilo. A maioria das pessoas que retratava, fotografava de longe e sem a intenção de poses ou sorrisos, natural; e lembrava que com aquela, não havia sido diferente. No entanto, a mulher o encarava, não sorria, mas havia palavras nos olhos e na boca. Tudo diziam, mas estavam ininteligíveis, eram uma pergunta em outra lingua. Sentiu a picada, um pequeno choque, piscou os olhos e despertou. Encontrara, ou melhor, perdera, quebrava a maldição sem saber. Nos olhos dela, haviam perguntas, promessas, quem sabe? Ela era esfinge; propusera o enigma. E ali, começava a odisseia.
Contou. Sete fracassos. Se bem que não amava aquela mulher, e tudo no que havia fracassado na verdade, havia sido dessa forma; nem se dera ao trabalho de lutar, ou conquistar. Simplesmente aceitava. Entrou em casa e encontrou as malas arrumadas. Olhou para tudo aquilo e os olhos vermelhos de Regina e entendeu no exato instante, tudo. Calado, pegou suas coisas e saiu; ela o prendeu com as palavras; uma verdadeira torrente, um rio, engasgado na garganta daquela mulher, que mais lágrimas alimentavam.
Colocou as coisas no porta-malas do carro, entrou e partiu. Pra onde? Que lugar?
Não se sentia culpado ou frustrado, só sentia que na verdade não sentir, era estranho. E aquela verdade, saída da boca da mulher o incomodava de alguma forma. Ela era perfeita, admirada e desejada pelos amigos; não sentia ciúmes disso, achava peculiar apenas. Ela foi entrando na vida dele e ele, passivamente, deixou que nele, ela se enroscasse.
Suas fotografias, carregavam um pouco desse dar de ombros em relação a vida, como um amigo uma vez lhe dissera, eram de uma visão situacional. E agora era isso. Ele havia sido desnudado pelos outros, por pessoas quase estranhas e se via, mas não se sentia particularmente afrontado. Olhava a si mesmo com curiosidade simples, sem anseios, como alguém pode observar de uma janela durante toda a tarde, o movimento da rua lá embaixo.
Não era isento de desejos, ou ambições, ou todas aquelas coisas que causavam a inquietude na humanidade. Não. Possuía a tudo isso, mas o que agora notava, era que estavam todos adormecidos, há tanto tempo, que nem notou quando isso começara. Mas agora, não fazia ideia de como acordá-los ou se deveria. Apenas respirava e pensava.
Sua vida até aquele momento não havia passado da vida da maioria das pessoas; uma vida normal. Nem pobre, nem rico, mais alto ou mais baixo, melhor que ninguém. Um a mais, nada além. Alguns chamariam de uma vida apática.
As perspectivas que tinha até aquele momento vinham de seu emprego e do hobby que exercia nas horas vagas, que consistia em ir até qualquer lugar que concentrasse algum grupo de pessoas, nas mais variadas atividades, e fotografá-las; quase como um voyeur. Era um voyeur, na verdade, agora percebia com clareza.
Resolveu ir para um pequeno hotel que conhecia por que ficava no caminho que sempre fazia para o trabalho. Alugou um quarto e separou algumas roupas e coisas, saiu, jantou e comprou cigarros. Revirando o conteúdo da mala pequena, encontrou algumas das fotos que havia tirado há alguns meses em uma feira.
Olhando mais detalhadamente, ficou orgulhoso do seu trabalho. Eram sim, de uma vulgaridade cotidiana, mas nelas havia um movimento poético, que agora percebia; as rugas na mão da senhora que segurava um pêssego grande, macio e carnudo, com tamanha delicadeza; os olhos velhos de um menino de rua; as pernas finas de uma moça na Paulista, o suor na testa do feirante, brilhando como pequenas jóias na testa, as mãos suplicantes de um mendigo, as mãos dadas de meninas na Augusta.
A sétima foto caiu no chão, embaixo da cama em um canto escuro e dificil, e nela viu algo que prendeu sua atenção. Aquela em particular lhe causou perplexidade e se perguntou como não havia notado aquilo. A maioria das pessoas que retratava, fotografava de longe e sem a intenção de poses ou sorrisos, natural; e lembrava que com aquela, não havia sido diferente. No entanto, a mulher o encarava, não sorria, mas havia palavras nos olhos e na boca. Tudo diziam, mas estavam ininteligíveis, eram uma pergunta em outra lingua. Sentiu a picada, um pequeno choque, piscou os olhos e despertou. Encontrara, ou melhor, perdera, quebrava a maldição sem saber. Nos olhos dela, haviam perguntas, promessas, quem sabe? Ela era esfinge; propusera o enigma. E ali, começava a odisseia.
sábado, 15 de março de 2014
Banquete
Em um dia de ira,
nem as divindades
terão pena de ti.
Terei meu banquete
em que você será o sacrifício.
Vou comer teu fígado
e cuspir flores.
Do tutano que eu chupar de teus ossos,
sua essência escorrerá pela minha garganta,
como hidromel.
A tua carne perfumada, mordida e mastigada,
engolida com deleite,
alimentará as incertezas que um dia nutri,
do que não foi devorado dentro de mim,
pelo sentimento que tinha.
Não deixarei nada para os corvos, cortarei, dividirei, partilharei você,
com todos aqueles que desejarem.
Nada. Para que não haja mais o perigo de que nada de você fique,
que nada de você ainda possa ameaçar minha paz.
a paz que adquiri a cada mordida, a cada bocado que enfim devorei, depois de por você ter sido devorada.
Seremos um.
Enquanto não chega este dia, sorrio ante esse pensamento,
A bela máscara que esconde o meu verdadeiro desejo.
nem as divindades
terão pena de ti.
Terei meu banquete
em que você será o sacrifício.
Vou comer teu fígado
e cuspir flores.
Do tutano que eu chupar de teus ossos,
sua essência escorrerá pela minha garganta,
como hidromel.
A tua carne perfumada, mordida e mastigada,
engolida com deleite,
alimentará as incertezas que um dia nutri,
do que não foi devorado dentro de mim,
pelo sentimento que tinha.
Não deixarei nada para os corvos, cortarei, dividirei, partilharei você,
com todos aqueles que desejarem.
Nada. Para que não haja mais o perigo de que nada de você fique,
que nada de você ainda possa ameaçar minha paz.
a paz que adquiri a cada mordida, a cada bocado que enfim devorei, depois de por você ter sido devorada.
Seremos um.
Enquanto não chega este dia, sorrio ante esse pensamento,
A bela máscara que esconde o meu verdadeiro desejo.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Pesadelos.
Acordou com o peso do braço dele e a mão no seio. A respiração pesada, batendo no seu rosto. Olhou e sorriu. O jeito pesado de dormir de uma criança. Uma das coisas nele que a encantava. Levantou e foi para a janela, começar a rotina do dia. Estranho ela ter isso. Rotina. Acordar com ele ao lado, e fazer coisas juntos, ainda era uma grande novidade. Ao menos para ela.
Lá fora, uma sereia passava. E o mar era apenas areia, que camelos atravessavam.
Não se deu conta daquilo. O milagre continuava estendido em sua cama. Acendeu um cigarro e fumou sem produzir fumaça. Na verdade, o mundo tinha perdido o som. E aquilo não a incomodava, o que também era estranho pra alguém tão barulhenta.
Saiu e foi a padaria comprar pão em meio a uma selva, o atendente era um crocodilo. Recebeu o troco em conchas.
Voltou flutuando; tinha comprado pães com gosto de manga e tulipas sem cor, que imaginava serem tulipas.
O pesadelo começou, quando voltou e não o achou. E acordou.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Sem título que sirva
Amor por nada.
Amor sem nada.
Amor de nada.
Amor sem graça.
Amor a graça.
Amor de graça.
Amor ao ódio.
Amor ilusório.
E tudo isso pode ser apenas o plágio de sentimentos.
Amor sem nada.
Amor de nada.
Amor sem graça.
Amor a graça.
Amor de graça.
Amor ao ódio.
Amor ilusório.
E tudo isso pode ser apenas o plágio de sentimentos.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A beleza do teu verso
Lindo poeta. Boa noite. Escreva uma estrela. Teça o verso, do mais rico fio de seu pensamento. Pra pontilhar e rimar o céu inteiro. Depois, quando a lírica aurora vier, volte para a cama que abandonaste, ao fazer do mundo uma poesia modernista com saudades e reminiscências barrocas.. O sono, o carinho e os beijos, guardamos no futuro, sempre revivido em tua partida.
O que eu sentir e você deixar
Ai essa mania
Esse
desassossego,
Essa
vontade...
De quê? De um
abraço, de um carinho...?
Teu? Deles?
De todos.
Ocupemos o
espaço e sejamos um
O impossível
não é tão difícil assim
Se eu quero e
você deixar
Faremos juntos e sozinhos
O sentir
Eu quero ter
mil homens,
Eu quero beijar um milhão de vezes,
Eu quero morrer trezentas vezes,
Comer milhares de flores.
Me embriagar em oitocentos bares,
Me afogar em sete mares
E assim, viver pra sempre
Na eternidade dos sentidos.
Eu quero beijar um milhão de vezes,
Eu quero morrer trezentas vezes,
Comer milhares de flores.
Me embriagar em oitocentos bares,
Me afogar em sete mares
E assim, viver pra sempre
Na eternidade dos sentidos.
Fazer-se ao mar
Ouço o seu
canto, saudade.
Belo e perigoso.
Mas eh impossível voltar,
Eh melhor ir
Marinheiro, a nave parte,
O mar chama. Não ouve?
Ir para longe, ir para o mundo.
Mas não para cantar glórias,
Não desejo a coroa dos heróis,
As folhas murcham.
Apenas para ter os caminhos instáveis
debaixo dos pés.
Belo e perigoso.
Mas eh impossível voltar,
Eh melhor ir
Marinheiro, a nave parte,
O mar chama. Não ouve?
Ir para longe, ir para o mundo.
Mas não para cantar glórias,
Não desejo a coroa dos heróis,
As folhas murcham.
Apenas para ter os caminhos instáveis
debaixo dos pés.
Trecho de lembrança
Sento-me em
minha mesa favorita do café. Sim, é aquela mesma mesa ainda. Na janela, que
dava para a esquina da rua. O engraçado nisso tudo é ir a um café, para tomar
suco de laranja. E que eu acho o melhor da cidade. Gosto meu, fazer o quê. E o
segundo motivo é ainda por que nessa mesma mesa, apesar de já gostar dela muito
antes, ela me lembra cada palavra das nossas conversas.
Estranho pensar que só ao me sentar é que me vem com tanta perfeição a sua
imagem, seus gestos, palavras e as vezes até seu cheiro. Poxa, eu fico com uma
sensação horrível de frustração. Ainda me apego a sua lembrança. Não que
tenhamos terminado mal, desejando reciprocamente nossa morte. Mas foi de um
jeito tão estranho...um monologo a dois, onde nada ficou muito claro, um abraço
sem sal sobre a chuva e silêncio.
Quando tudo que havia eram um monte, toneladas de
palavras, silêncio entre nós era algo raro. E agora eu aqui, tomando suco de
laranja, escrevendo essas bobagens, parecendo uma mulher melosa, tentando
entender sozinha. Um exercício inútil.
Mas um dia ainda, só de desaforo a sua imagem, só pra
insultar a sua lembrança, coloco na cadeira que o seu fantasma-memória ocupa
agora, um outro cara. É, você vai ver só. Eu mato você, saudade.
Talvez e apenas talvez...
Talvez
E apenas talvez eu tenha esquecido onde deixei
Aquele corpo que te lembrava
Aquele pensamento que só queria você.
Aquele coração que ansiava por sua voz.
Talvez.
Eu possa ter me perdido nas horas, nos dias, e esquecido de como é ter você
E apenas talvez eu tenha esquecido onde deixei
Aquele corpo que te lembrava
Aquele pensamento que só queria você.
Aquele coração que ansiava por sua voz.
Talvez.
Eu possa ter me perdido nas horas, nos dias, e esquecido de como é ter você
ao alcance do meu
chamado.
E ao que parece, a ausência da falta não se fez somente em mim.
E talvez, apenas, talvez, eu tenha deixado, esquecido, abandonado
Em algum lugar aquele corpo, aquela mente, aquele desejo
O querer tão grande, que eu sentia.
Pena. Mas espero não voltar mais àquele tempo, ele já se foi.
Não volta.
E eu não quero olhar pra trás, pois se fizer, sei que estarei perdida.
E ao que parece, a ausência da falta não se fez somente em mim.
E talvez, apenas, talvez, eu tenha deixado, esquecido, abandonado
Em algum lugar aquele corpo, aquela mente, aquele desejo
O querer tão grande, que eu sentia.
Pena. Mas espero não voltar mais àquele tempo, ele já se foi.
Não volta.
E eu não quero olhar pra trás, pois se fizer, sei que estarei perdida.
Ser em um mundo que não se é.
Felicidade, não é
uma obrigação, não faça de um sorriso uma arma, uma ferramenta, mais uma
máquina, como nós, seres humanos, fizemos de muitas coisas. Se desejar sorrir e
ser feliz neste dia, seja; se deseja sofrer, sofra. Porém, tudo é passageiro.
Menos a naturalidade com que se sente o que afeta o espírito humano.
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Essência
Cansei de ser um humano ser. Quero me reiventar. Quero ser um
peixe e viver no mar. Quero ser um gato e viver no telhado, olhando e cantando
a Lua. Ou quero ser um peixe gato. E ter duas essências.
Ode ao nosso abandono
Que meus olhos permaneçam abertos.
Que minhas mãos se façam cada dia mais suaves, para as carícias que roubo de tua pele,
que meus pés sempre sintam a necessidade de voltar pelo caminho que segues.
Ainda que eu não te perceba completo e sejas
somente mais um sonho..
Boa noite.
que meus pés sempre sintam a necessidade de voltar pelo caminho que segues.
Ainda que eu não te perceba completo e sejas
somente mais um sonho..
Boa noite.
Uma pena, meu amor...
Os pés não tocam mais o chão.
Longe, longe...
Há um dia que nunca se apaga da memória.
Aquele que fiquei tão próxima a você
que senti o cheiro dos seus pensamentos,
Longe, longe...
Há um dia que nunca se apaga da memória.
Aquele que fiquei tão próxima a você
que senti o cheiro dos seus pensamentos,
e pude
ouvir a música do seu coração.
Devaneios.
Pena que tudo perece sob o Sol.
Devaneios.
Pena que tudo perece sob o Sol.
Sem título amoroso
Medo pra quê?
Medo de quê?
Medo por que?
Com você há de ser tudo novo...
Eu não quero viver um eterno retorno
Há de ser..
Tem de ser...
Tem que ser assim..
Novo como a primavera
O mesmo velho sentimento renascido
Na imagem e semelhança sua.
Medo de quê?
Medo por que?
Com você há de ser tudo novo...
Eu não quero viver um eterno retorno
Há de ser..
Tem de ser...
Tem que ser assim..
Novo como a primavera
O mesmo velho sentimento renascido
Na imagem e semelhança sua.
Permitir: v.t. 1. Dar a liberdade, o poder de fazer, de dizer.2. V.pr. Tomar a liberdade, a licença de.
Permitir-se. Quando éramos crianças, no quintal, no sítio, na
rua, saber que mesmo correndo o risco de ralar o joelho, quebrar a cabeça,
levar uma mordida de cachorro no traseiro, apanhar do pai ou da mãe, queríamos
tanto uma coisa, tanto, que valia o perigo e então o medo ia embora e a vitória
caminhava ao nosso lado. Quero que aquela criança dentro de mim, volte a
brincar comigo e sussurre os segredos da sua (jovem e bela) sapiência em meu
ouvido.
Dia de desabafo nesse lixo (e por isso, necessário) de rede social:
A todas e todos que
conheci um dia. Cara, eu tenho uma porcaria de memória de elefante, que faz com
que por mais que eu tenho te chateado, magoado, ou irritado- coisas que faço
invariavelmente-, eu ainda sinto saudades de vocês... Minha raiva, minha mágoa
passam rapidamente; e ainda que nem ou você, cara (o) desaparecida(o), não
tenhamos mais afinidades para mantermos uma amizade ou algo do tipo, eu vou
sempre lembrar com carinho de tudo que vivemos e aprender a medir melhor tanto
meus atos e palavras, bem como os seus para comigo. É isso. Uma boa vida pra
você. Tudo de bom. Adeus.
Memoria(dor)
Eu quero furar os olhos da minha memória para nunca mais ver
seu rosto em minha mente. Nunca mais recorrer a essa lembrança viva e maldita.
Eu quero matar o que resta de você em mim, puxar pela raiz, como a uma erva
daninha. Eu quero que você suma completamente. Eu vou te exorcizar. Eu vou te
banir. E nunca mais olhar a sua imagem. Serás proscrito.
Gaiola
Me escondo onde não desejas procurar.
Sou o que você gostaria de mudar.
Sempre torta.
A mesma em meus defeitos,
Mas ainda assim querendo a tudo,
E antes de tudo o gosto do teu ser.
Tão vulgar e incompleta como
o mato que cresce na calçada.
Gostaria de receber ainda que o mínimo
de sua atenção.
Ou até mesmo de sua raiva.
Ainda assim seria um olhar.
Quem sabe te capturasse em uma gaiola,
que faço para teu ser há eras infindáveis.
Mas ainda que mais essa tentativa seja frustrada,
a unica tendência que em mim habita é a busca por aquilo que me prende.
Você me tem aprisionada ao teu movimento há muito mais tempo.
Sou o que você gostaria de mudar.
Sempre torta.
A mesma em meus defeitos,
Mas ainda assim querendo a tudo,
E antes de tudo o gosto do teu ser.
Tão vulgar e incompleta como
o mato que cresce na calçada.
Gostaria de receber ainda que o mínimo
de sua atenção.
Ou até mesmo de sua raiva.
Ainda assim seria um olhar.
Quem sabe te capturasse em uma gaiola,
que faço para teu ser há eras infindáveis.
Mas ainda que mais essa tentativa seja frustrada,
a unica tendência que em mim habita é a busca por aquilo que me prende.
Você me tem aprisionada ao teu movimento há muito mais tempo.
Eu te devoro.
Eu sou uma
devoradora
Devoro mundos, musicas, vidas.
E o que engulo, por vezes,
Nos descaminhos do corpo unido a alma,
pára no coração.
Você está lá.
Devoro mundos, musicas, vidas.
E o que engulo, por vezes,
Nos descaminhos do corpo unido a alma,
pára no coração.
Você está lá.
Junto com muitos
outros
Pedaços que me assombram por dentro...
Mas nem deles nem de você e de nenhum dos outros, futuros,
Pretendo me livrar.
O peito é grande e a vontade canibal continua intacta.
Pedaços que me assombram por dentro...
Mas nem deles nem de você e de nenhum dos outros, futuros,
Pretendo me livrar.
O peito é grande e a vontade canibal continua intacta.
Para Iemanjá.
Ah, a doçura do mar!
Seu canto que tanto me entontece
e me chama.
Para embalar sonhos.
Era tudo que o peito e a mente
Atormentada agora desejam..
Sentir o sopro da maresia.
E soltar a corda que prende
Meu barco-alma sem cais
Solto, livre, enfim.
Vela frágil ao sabor do Novo Mundo.
Velejar
Sonhando a rota
Sem desejar, apenas ser
Mar, vento e o casamento perfeito
De um novo mundo com um novo eu se daria
E eu seria a mesma casca da madeira de
Swhaili
Ou Madagáscar
Ou do Laos..
Seria, sentiria e esqueceria.
Seu canto que tanto me entontece
e me chama.
Para embalar sonhos.
Era tudo que o peito e a mente
Atormentada agora desejam..
Sentir o sopro da maresia.
E soltar a corda que prende
Meu barco-alma sem cais
Solto, livre, enfim.
Vela frágil ao sabor do Novo Mundo.
Velejar
Sonhando a rota
Sem desejar, apenas ser
Mar, vento e o casamento perfeito
De um novo mundo com um novo eu se daria
E eu seria a mesma casca da madeira de
Swhaili
Ou Madagáscar
Ou do Laos..
Seria, sentiria e esqueceria.
Normalidade é para os fracos
Posso pedir
desculpas, perdão, lamentar pelos erros cometidos e feridas abertas. Mas caso
minha natureza insana, instável, estranha te incomoda, me afasto para que não
vejas mais passar diante de teus olhos, o carnaval do hospício que eu sou.
Eu também posso sentir raiva da sua comodidade.
Somos seres ordeiros.
Trabalhamos, Pagamos, Rezamos, Fingimos que Amamos.
Acordamos cedo para irmos para empregos, ocupar funções, dar e receber ordens e onde nos sentimos úteis, entretanto, seriamos substituídos com facilidade. E no fim do dia, cansados, reclamamos. Temos quatrocentos mil amigos em redes sociais e choramos de solidão e pelo vazio que nos corrói. E nessa mesma rede social, estamos sempre felizes e sorridentes em fotos. Construímos nela uma paraíso macio de nuvens rosáceas.
Partilhamos mensagens de amor, fé e esperança. Proclamamos o que nos falta. Não há respeito, não há o amor que dizemos sentir. Deus eh uma mensagem bonita para que pareçamos mais crentes. Pessoas boas. Tentamos ser bons. Menos com o nosso próximo. Com o gay, o menino de rua viciado em crack. Não encontramos e não sentimos afeto por essas criaturas.
Somos hipócritas, enfim. Sou hipócrita. Uma boa tarde a perfeição.
Acordamos cedo para irmos para empregos, ocupar funções, dar e receber ordens e onde nos sentimos úteis, entretanto, seriamos substituídos com facilidade. E no fim do dia, cansados, reclamamos. Temos quatrocentos mil amigos em redes sociais e choramos de solidão e pelo vazio que nos corrói. E nessa mesma rede social, estamos sempre felizes e sorridentes em fotos. Construímos nela uma paraíso macio de nuvens rosáceas.
Partilhamos mensagens de amor, fé e esperança. Proclamamos o que nos falta. Não há respeito, não há o amor que dizemos sentir. Deus eh uma mensagem bonita para que pareçamos mais crentes. Pessoas boas. Tentamos ser bons. Menos com o nosso próximo. Com o gay, o menino de rua viciado em crack. Não encontramos e não sentimos afeto por essas criaturas.
Somos hipócritas, enfim. Sou hipócrita. Uma boa tarde a perfeição.
Sem um titulo de verão
Um banho com agua fresca
Um sorvete que derrete com o fim da tarde
Dessa tarde verão,
eu tiro a leveza.
Por que você insiste em achar dificil acreditar que,
eu me sinto universalmente feliz com tão pouco?
Eu não caibo dentro da sua vida.
Garotos perdem
tempo pensando,
Em uma definição,
Procurando.
Uma bela caixa,
Pra me encaixar.
Me querem boneca.
Maleável, doce.
Gentil. Observar sempre as boas maneiras.
Apenas se esquecem,
Ou fingem ser possível,
Guardar um ser do mar,
que sou,
Dentro de um vestido cor-de-rosa.
Em uma definição,
Procurando.
Uma bela caixa,
Pra me encaixar.
Me querem boneca.
Maleável, doce.
Gentil. Observar sempre as boas maneiras.
Apenas se esquecem,
Ou fingem ser possível,
Guardar um ser do mar,
que sou,
Dentro de um vestido cor-de-rosa.
A todas as maravilhosas mulheres de minha vida.
Bom, postando aqui minhas coisas antigas.
Muitos nomes, muitos rostos, tem essa garota...
Quem eh essa garota? Que olha e nos vê e entende, mas não nos leva? Nos arrasta, na verdade... Ela pisca e o mundo apaga. Ela abre os olhos e o mundo volta a existir. Prende olhares aos milhares Mas nenhum a decifra. Esfinge. Existe, mas poucos conhecem. E a humanidade peca,pela ignorância de não saber seu nome.Ela sonha. Tanto... Ela ri... de forma tão linda... Ela vibra... único tom puro. O mais alto. Ela quer. E a luz se faz.. Elas e a dor. Elas e as dores.Todas, dentro de um ser. E continuam a dançar. A vida eh escrita por suas mãos e gestos.E como flores que nascem no asfalto, no campo, na
escarpa e sobre as águas,Toda matéria ela domina e dela faz uso.O mundo pertence a ela e não reivindique pra si,
quinhão. Ela não eh egoísta. Elas não são egoístas. Elas se dão, se darão, deram. Inteiras. Você que não sabe entender. Aceitar. Ver. Aprenda pelo exemplo próximo à fortalezas.
Não eh tão difícil.
Muitos nomes, muitos rostos, tem essa garota...
Não eh tão difícil.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Como eu disse antes, aqui será uma espécie de quartinho de despejo (foi a única comparação que me veio agora a mente), portanto, mais uma coisa pro blog... fiz tanto o desenho, é eu sei é bem infantil, quanto a poesia...
Sem título
Eu preciso de corações perfeitos.Eu quero pessoas virando coresEu quero beber cores pelos olhosMe afogar em cores.Eu quero que elas sejam o perfume de minha peleA cor dos meus olhos.DerramadaTranspostaImersaE assim inteiraEm uma essência furta-cor.Ser um ser mitológicoUma sereia com escamas de miríades de coresUm pedaço de marMas acho que já souGuardo tudo isso, Onde muitos passamMas poucos habitam.
Sem título
Eu preciso de corações perfeitos.Eu quero pessoas virando coresEu quero beber cores pelos olhosMe afogar em cores.Eu quero que elas sejam o perfume de minha peleA cor dos meus olhos.DerramadaTranspostaImersaE assim inteiraEm uma essência furta-cor.Ser um ser mitológicoUma sereia com escamas de miríades de coresUm pedaço de marMas acho que já souGuardo tudo isso, Onde muitos passamMas poucos habitam.
É isso aí, mais um blog pra encher o saco das pessoas.
Olá. Estreando este blog, um texto explicativo do porquê de sua criação. E a explicação é: procrastinação. É isso mesmo. Deveria escrever outras coisas e mais interessantes e produtivas para a minha vida, mas estou aqui, criando um blog. mais um. Entre tantos.
Claro, que como todo ser humano e sendo uma mulher ocidental, procurarei me diferenciar, e claro que, sem sucesso (momento risada pelo nariz). O assunto de quase todos os blogs não saem dessa tônica: quando não são sobre homens ou mulheres (sexo), são sobre comida ou relações que foram um fiasco. Blogs foram feitos pra desabafar, xingar e em casos que eu considero piores, espalhar ódio por aí. o que não é o meu caso. Ainda não ao menos...blogs servem como um divã virtual. E são tão inúteis quanto.
Bem, mas minha pretensão ao criar este blog é postar textos, poemas, músicas, as coisas que eu penso ou deixo de pensar... na verdade aqui será um depósito das minhas inutilidades interiores. Nem pior e nem melhor que nenhum outro. Meu, apenas. É necessário também dizer que, caso alguém venha a tentar me denegrir ou "zuar" sobre o que eu posto aqui, fique a vontade. Mando beijos para a sociedade. ;*
Claro, que como todo ser humano e sendo uma mulher ocidental, procurarei me diferenciar, e claro que, sem sucesso (momento risada pelo nariz). O assunto de quase todos os blogs não saem dessa tônica: quando não são sobre homens ou mulheres (sexo), são sobre comida ou relações que foram um fiasco. Blogs foram feitos pra desabafar, xingar e em casos que eu considero piores, espalhar ódio por aí. o que não é o meu caso. Ainda não ao menos...blogs servem como um divã virtual. E são tão inúteis quanto.
Bem, mas minha pretensão ao criar este blog é postar textos, poemas, músicas, as coisas que eu penso ou deixo de pensar... na verdade aqui será um depósito das minhas inutilidades interiores. Nem pior e nem melhor que nenhum outro. Meu, apenas. É necessário também dizer que, caso alguém venha a tentar me denegrir ou "zuar" sobre o que eu posto aqui, fique a vontade. Mando beijos para a sociedade. ;*
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