terça-feira, 23 de setembro de 2014

Resposta

    É sempre motivo de critica entre os que escrevem, colocar o título antes de ter escrito o texto. Eu, porém, inverto essa lógica, as vezes. Gosto de colocar o título antes, como forma de mensurar, traçar um caminho. Apontar um possível norte a palavra. Ainda que saia o tiro pela culatra em muitos casos. Mas ainda assim, gosto. Eu gosto de ter um caminho, e possivelmente, desviá-lo, ainda que sempre o deixe lá de alguma forma; em um título, em uma passagem rememorada, ou então em um título que não faz sentido aparente.
    É engraçado como esse título antecipado, no entanto, se liga a tudo que está a nossa volta. Procuramos respostas a perguntas. Questionamos tudo e todos a nossa volta, com perguntas embaraçosas para os outros e totalmente ingênuas para nós. E caso não nos questionássemos mais, ainda que pelas coisas mais comuns significaria na verdade, a morte. As perguntas certas e respostas erradas. Perguntas sem respostas. Perguntas simples e respostas enigmáticas, é o que encontramos muitas vezes. 
    Na verdade, o mundo poderia ser feito de uma única pergunta e nesta cabe milhares de respostas. E é bem o que se presume que aconteça na verdade. 
    O que escrevo é para um menino querido, que anda assombrado com as perguntas que tem feito a si mesmo. As respostas que ele encontra, não as considera satisfatórias. Realmente; podem não ser. Como podem não ser respostas verdadeiras, pois sussurradas pela boca de um mau conselheiro. Nossos tormentos, noites em claro, os problemas, tem vozes desagradáveis. Nascem murmurando em leito pedregoso e lamacento do que ainda não desvendamos de nós. Do que não aceitamos em nós, do que ainda temos que mudar e relutamos. 
    Queríamos poder ser outros,  ter formulado nossas vidas  de uma outra maneira que pensamos seria a melhor, nos comparamos e medimos por pesos alheios. Pensamos que não, já vencemos tudo isso. Algumas coisas levam muito tempo para mudar. Nos sentimos infrutíferos, não semeamos o que colhemos, algumas vezes. E isso tudo soa bem piegas, sim, podemos nos dar esse luxo. Não é autocompaixão. É apenas incômodo. E incômodos levam a perguntas e estas, quem sabe, a respostas que buscamos. As coisas caminham para a não-conformação. Não está satisfeito, mude. Medo de não se reconhecer depois? Não... isso só acontece quando não é você que muda seus móveis de lugar, quando deixa que outros o façam, aí sim, se corre este risco. 
    Ainda não disse tudo, disse pouco, mas espero que este pouco, seja muito e ajude em sua inquietação. 
   Ouça os outros, é importante, mas ouça primeiro você, e o que não gostar da conversa, jogue fora, refaça. Derrube e comece de novo, como diz um certo cantor de sua preferência. 
   Se precisar, estamos aí. 


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