sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz ano novo

A gente nem se olhou. Bastou um relance e tudo explodiu. E desmoronamos. Nós, que tanto nos amamos. Nós, que hoje somos demônios. Carregando os pecados, um do outro. Tremor, crises e dias que se arrastam. É essa a herança de um amor mau fadado a desilusão.
Desilusão, danço eu, dança você, na dança da solidão.

Feliz ano novo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Como é a minha sensação da depressão.

Poderia dar explicações médicas e científicas, mas vou falar do que eu sinto tendo depressão.
Falar que eu me sinto triste o tempo todo e uma inutilidade é dizer pouco sobre isso.
Você acorda sem querer acordar, é horrível saber que você tem mais um dia pela frente que você simplesmente não quer. Você não quer viver. Você está cansada de viver. Viver e você são um peso excessivo na mesma frase. Nada desperta meu interesse, as vontades estão mortas. Tudo é cinza. Cinzas se transformaram seus sonhos. A única coisa que você realmente deseja ainda é não existir. Você toma o antidepressivo por que alguém te entrega a dose. Mas você não quer se livrar da única coisa que te mantém vivo, a depressão. Por que como um viciado, você está viciado em ser triste e estar na merda, você é a depressão. E você acredita ser impossível se livrar dela.
As pessoas te olham com apreensão, tentam te motivar e é doloroso de um jeito estranho vê-las se esforçando em fazer por você o que você deveria fazer por si. Motivação é apenas uma palavra. Nada mais.
Você não quer, por que não sente necessidade em cuidar de si, você não quer comer, tomar banho, levar seu cachorro pra fazer xixi, você não quer nada. Você não quer.
Você não sabe mais quem é. Sua mente entra em um looping infinito de lembranças dolorosas, de auto repreensão e autopiedade mas sem pieguismos. Você é realmente a pior pessoa do mundo. Nada há de bom em você. Você está morta; se sente ocupando um corpo. Mais nada. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Eu matei o meu amor

Eu matei o meu amor.
Friamente, sorrindo.
Matei, todas as vezes que dizia sim.
Matei com as máscaras que usei.
Traiçoeiramente. De luz apagada.
Matei chorando, por ciúmes.
Eu matei o meu amor, com um amor doentio,
que nasceu em seu lugar, uma erva daninha.
Eu matei meu amor, por que ele queria ser morto.
Ele foi morar longe e hoje ele não existe mais em mim.
E nem eu sei mais quem habita minha antiga pele.
Mas saibam, eu matei o meu amor, e sou réu e verdugo.
Por que eu matei meu amor de fome de mais amor.
E a dor que eu sinto é do amor corroendo o buraco que ficou.
Comendo minha mente, minhas entranhas, eu não sou culpada e nem santa.
Eu sou um amor que mata o amor.

domingo, 27 de novembro de 2016

Meus sentimentos.

Quando eu era criança e você sabe disso, eu tinha pesadelos terríveis. Acordava chorando e passava o dia com medo do que a noite e o sono me reservavam. Mas hoje, os pesadelos me atormentam de dia e a ironia é que eles já foram dourados, eram as lembranças mais doces que eu tinha de nós; hoje, o pesadelo somos nós.
Não te peço que entenda ou ouça mais nada. Tudo já foi dito e tudo machucou o suficiente. Talvez só te pediria pra sumir. Ver você ocupando o corpo do homem que eu amava é muito doloroso. Por que sim, ele morreu, não existe mais. Você é uma outra pessoa que tomou posse do corpo dele. Corpo porto que eu amava tanto. Que eu amo tanto. Mas já não reconheço.
Essas palavras vão endereçadas a quem tiver tempo e interesse em lê-las. Não são pra você, apesar do tema ser você. Elas são um monólogo que externaliza o túmulo interno. O choro não pertence a você. Me sinto viúva- sim, ridículo, tudo isso, mas nada risível-, da pessoa que você matou ao se afastar, ao se distanciar, ao me ignorar. Quando eu mais precisei. Você tomou posse do corpo dele e o matou, por fim. Eu te odeio. E eu o amava. Eu o amo. O amor é realmente impossível.
Meus pêsames, meus sentimentos. Ele não existe mais.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desilusão

Não quero te ver nunca mais. E nunca mais é muito tempo. É tanto tempo que até o nunca se esquece de existir. As ruínas dos castelos, as feridas abertas no coração, ficarão tão cinzas quanto os ossos roídos e remoídos pelos dentes do tempo. Aquele velho encarquilhado, que nos tira e nos dá a todos de forma igual, mais um dia.
Você decide como ele será, mais um fardo ou menos um dia para carregar a mortalha de um sentimento impossível. 
Mas de que ruínas escapa a fumaça do incêndio, se não há nem mesmo a destruição, a palavra é outra para o que aconteceu: desolação, o nada no tempo e no espaço.
Meu trabalho não é sobre a metáfora, mas sobre aquilo que existe de mais comum em nossa existência e que por isso mesmo, é a maior dor: os sonhos frustrados, morreram antes de um ano. Foram postos pra fora, como um cão que não se quer mais em casa. Ele passa fome e frio, e ninguém se importa; tratam-no como um estorvo que ali não deveria estar. 
E quando você conseguir sentir o gosto da mudança do tempo, como você vai reagir? Amaldiçoar ou bendizer, o que já foi, é inútil.
Uma dor mora no peito, mas nem incomoda mais, ela só está lá ainda com seu nome, mas sem essência nenhuma, como um frasco de perfume vazio.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Polemica

Polêmica, meu pólen
flor, abelha, folha,frutal.
Exponho meus seios,
esperando os deuses
toca-los.
O mel divino, me eleva.
Eu não sou ovelha.
Cabresto nunca me coube,
A vaca é Profana.
E a santa, não foi para o céu.
Meus saltos rubros, minha risada alta,
Não foram feitos pros teus olhos enjaulados.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Orgasmo

Coloque um, dois dedos,
seu corpo no copo da cólera, 
orgasme, la petit mort, o ápice.
Você já chegou lá?
Vá sem pressa então. 
Vá como quem não quer nada, 
seja sorrateira, meticulosa e calculista, 
e se agarre a seus pêlos, se ame, se beije, se molhe.
Gemendo baixinho
Se orgasme, permitir-se é sempre uma luxúria.
Você não é um pecado 
e o prazer não é o inferno parcelado.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Lista

Nestas folhas,
escreva.
A lista do mercado:
pão
batata
tomate
macarrão.
O sim e o não.
As contas a pagar.
Escreva o que não cabe mais.
Por dentro,
derrame as palavras várias,
as pessoas, os lugares.
Um avião cortando o céu,
o que passa e não se vê.
O espelho da cidade,
em letras e palavras,
uma necessidade.
Escreva como as coisas começam
e terminam,
se erguem e se destrói.
Escreva sobretudo.
Sobre.
Tudo.
Sob. O nada. Sobe o Sol.
Termina o dia.
O sol sumiu,
e a flor murchou.
E agora, José?
Escreva.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Zero

As fotos, as musicas, as imagens, os lugares, a comida. Apagar tudo. Lixeira. Remover.


Nao dá.