quinta-feira, 13 de março de 2014

Pesadelos.

Acordou com o peso do braço dele e a mão no seio. A respiração pesada, batendo no seu rosto. Olhou e sorriu. O jeito pesado de dormir de uma criança. Uma das coisas nele que a encantava. Levantou e foi para a janela, começar a rotina do dia. Estranho ela ter isso. Rotina. Acordar com ele ao lado, e fazer coisas juntos, ainda era uma grande novidade. Ao menos para ela. 
Lá fora, uma sereia passava. E o mar era apenas areia, que camelos atravessavam. 
Não se deu conta daquilo. O milagre continuava estendido em sua cama. Acendeu um cigarro e fumou sem produzir fumaça. Na verdade, o mundo tinha perdido o som. E  aquilo não a incomodava, o que também era estranho pra alguém tão barulhenta. 
Saiu e foi a padaria comprar pão em meio a uma selva, o atendente era um crocodilo. Recebeu o troco em conchas. 
 Voltou flutuando; tinha comprado pães com gosto de manga e tulipas sem cor, que imaginava serem tulipas. 
O pesadelo começou, quando voltou e não o achou. E acordou. 

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