Eu matei o meu amor.
Friamente, sorrindo.
Matei, todas as vezes que dizia sim.
Matei com as máscaras que usei.
Traiçoeiramente. De luz apagada.
Matei chorando, por ciúmes.
Eu matei o meu amor, com um amor doentio,
que nasceu em seu lugar, uma erva daninha.
Eu matei meu amor, por que ele queria ser morto.
Ele foi morar longe e hoje ele não existe mais em mim.
E nem eu sei mais quem habita minha antiga pele.
Mas saibam, eu matei o meu amor, e sou réu e verdugo.
Por que eu matei meu amor de fome de mais amor.
E a dor que eu sinto é do amor corroendo o buraco que ficou.
Comendo minha mente, minhas entranhas, eu não sou culpada e nem santa.
Eu sou um amor que mata o amor.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Eu matei o meu amor
domingo, 27 de novembro de 2016
Meus sentimentos.
Quando eu era criança e você sabe disso, eu tinha pesadelos terríveis. Acordava chorando e passava o dia com medo do que a noite e o sono me reservavam. Mas hoje, os pesadelos me atormentam de dia e a ironia é que eles já foram dourados, eram as lembranças mais doces que eu tinha de nós; hoje, o pesadelo somos nós.
Não te peço que entenda ou ouça mais nada. Tudo já foi dito e tudo machucou o suficiente. Talvez só te pediria pra sumir. Ver você ocupando o corpo do homem que eu amava é muito doloroso. Por que sim, ele morreu, não existe mais. Você é uma outra pessoa que tomou posse do corpo dele. Corpo porto que eu amava tanto. Que eu amo tanto. Mas já não reconheço.
Essas palavras vão endereçadas a quem tiver tempo e interesse em lê-las. Não são pra você, apesar do tema ser você. Elas são um monólogo que externaliza o túmulo interno. O choro não pertence a você. Me sinto viúva- sim, ridículo, tudo isso, mas nada risível-, da pessoa que você matou ao se afastar, ao se distanciar, ao me ignorar. Quando eu mais precisei. Você tomou posse do corpo dele e o matou, por fim. Eu te odeio. E eu o amava. Eu o amo. O amor é realmente impossível.
Meus pêsames, meus sentimentos. Ele não existe mais.