sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Trecho de lembrança

Sento-me em minha mesa favorita do café. Sim, é aquela mesma mesa ainda. Na janela, que dava para a esquina da rua. O engraçado nisso tudo é ir a um café, para tomar suco de laranja. E que eu acho o melhor da cidade. Gosto meu, fazer o quê. E o segundo motivo é ainda por que nessa mesma mesa, apesar de já gostar dela muito antes, ela me lembra cada palavra das nossas conversas. 

Estranho pensar que só ao me sentar é que me vem com tanta perfeição a sua imagem, seus gestos, palavras e as vezes até seu cheiro. Poxa, eu fico com uma sensação horrível de frustração. Ainda me apego a sua lembrança. Não que tenhamos terminado mal, desejando reciprocamente nossa morte. Mas foi de um jeito tão estranho...um monologo a dois, onde nada ficou muito claro, um abraço sem sal sobre a chuva e silêncio. 
Quando tudo que havia eram um monte, toneladas de palavras, silêncio entre nós era algo raro. E agora eu aqui, tomando suco de laranja, escrevendo essas bobagens, parecendo uma mulher melosa, tentando entender sozinha. Um exercício inútil.
Mas um dia ainda, só de desaforo a sua imagem, só pra insultar a sua lembrança, coloco na cadeira que o seu fantasma-memória ocupa agora, um outro cara. É, você vai ver só. Eu mato você, saudade.

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