quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desilusão

Não quero te ver nunca mais. E nunca mais é muito tempo. É tanto tempo que até o nunca se esquece de existir. As ruínas dos castelos, as feridas abertas no coração, ficarão tão cinzas quanto os ossos roídos e remoídos pelos dentes do tempo. Aquele velho encarquilhado, que nos tira e nos dá a todos de forma igual, mais um dia.
Você decide como ele será, mais um fardo ou menos um dia para carregar a mortalha de um sentimento impossível. 
Mas de que ruínas escapa a fumaça do incêndio, se não há nem mesmo a destruição, a palavra é outra para o que aconteceu: desolação, o nada no tempo e no espaço.
Meu trabalho não é sobre a metáfora, mas sobre aquilo que existe de mais comum em nossa existência e que por isso mesmo, é a maior dor: os sonhos frustrados, morreram antes de um ano. Foram postos pra fora, como um cão que não se quer mais em casa. Ele passa fome e frio, e ninguém se importa; tratam-no como um estorvo que ali não deveria estar. 
E quando você conseguir sentir o gosto da mudança do tempo, como você vai reagir? Amaldiçoar ou bendizer, o que já foi, é inútil.
Uma dor mora no peito, mas nem incomoda mais, ela só está lá ainda com seu nome, mas sem essência nenhuma, como um frasco de perfume vazio.

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