segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Nós dois

Nós dois, atravessando a rua, nos beijando. Nós dois provocando com o nosso amor uma revolução.
Nós dois, sentados no café olhando pro chão, as árvores, os passantes.
Nós dois, que já não conversamos, já não nos beijamos mais.
Nós dois.
Juntos.
Sozinhos.
Você aperta a minha mão e ri de uma forma tão linda, que eu abro um sorriso que iluminaria o mundo por um segundo. Você me puxa pela milésima vez e me beija e diz que me ama.
Você esconde as mãos no bolso, usa um tom de voz educado e fala que precisamos conversar e deixar tudo acertado.
Você esconde as mãos e os olhos no café, e eu fico sem palavras.
Você me abraça durante o medo, não solta a minha mão no escuro, enxuga as minhas lágrimas e repete que sempre vai estar ali, pra mim e por mim.
Você se torna não só o amante, mas o amigo.
O tom que usamos é formal, inflexível, destoante das conversas animadas e das risadas e felicidade ao redor. É um dia de Sol, é verão. Faz calor, mas ambos trememos. Tudo que a gente quer é ir embora dali, abandonarmo-nos uma vez mais.
A chuva e o frio impedem as pessoas de sorrir. Elas passam apressadas por nós, mas será que elas não vêem o enorme, a  brilhante luz que toma tudo reavivando o cinza? Quem são aquelas pessoas tristes? Por que elas são assim?
O nosso futuro e o nosso passado, um dia, se encontraram na esquina.

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